(Crédito fotográfico: Carol Pires)
Idealizado por Daniel Chagas e com direção e coreografia de Alessandro Brandão e Sueli Guerra, novo projeto da Cia da Ideia reflete, por meio da dança, sobre o ritmo da vida em temporada no Teatro Angel Vianna, no Centro Coreográfico da Cidade do Rio de Janeiro
Vivemos atualmente em um ritmo extremamente acelerado, em todas as esferas da vida. Estamos constantemente “correndo atrás” — da produtividade, do sucesso, da imagem ideal, da autossuperação — em busca de algo que nunca se realiza plenamente no presente. Fomos levados a acreditar que essa perseguição incessante é o caminho para a felicidade, enquanto cada vez menos nos permitimos descansar, desacelerar ou simplesmente aceitar o tédio. É justamente esse incômodo que impulsiona a criação de “Sociedade do Cansaço”, espetáculo da Cia da Ideia que estreia no Teatro Angel Vianna, no Centro Coreográfico da Cidade do Rio de Janeiro, na Tijuca, em curta temporada de 06 a 29 de março, com sessões sextas e sábados, às 19h, e domingos, às 18h.
Com direção e coreografia de Alessandro Brandão e Sueli Guerra, “Sociedade do Cansaço” foi idealizado por Daniel Chagas a partir do livro homônimo de Byung-Chul Han e propõe uma investigação cênica sobre o que o autor denomina “sociedade do desempenho” — marcada por aceleração constante, ansiedade, fragmentação e estados depressivos. Ao mesmo tempo em que expõe esses sintomas do nosso tempo, a obra busca resgatar conceitos, ritmos e culturas que se colocam em oposição a esse modelo hegemônico de vida. Por meio dessa contraposição, o elenco, formado por Alessandro Brandão, Ana Paula Cruz, Andreia Pimentel, Joca Gonzaga, Daniel Chagas e Sueli Guerra, não oferece respostas ou conclusões fechadas no palco, mas abre espaços de reflexão e propõe novas formas de lidarmos com a contemporaneidade, convidando o público a uma experiência sensorial, crítica e afetiva. Por que é tão difícil desacelerar ou permanecer imóvel?
Byung-Chul Han reflete sobre isso ao afirmar que a dança representa um movimento radicalmente distinto daquele imposto pela lógica do desempenho. Enquanto o andar linear carrega o peso do tédio, é justamente esse tédio que pode transformar o passo do correr no passo da dança. A dança, com seus movimentos circulares e desviantes, torna-se um luxo que escapa completamente ao princípio do desempenho.
Com patrocínio do Governo Federal, Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro e Secretaria Municipal de Cultura, o espetáculo nasce de uma pesquisa que busca estimular os sentidos e a psique dos espectadores, promovendo uma experiência estética que ultrapassa a compreensão racional e se dá também no corpo, na percepção e na sensibilidade. A partir da técnica dos “Viewpoints”, e da provocação entre danças contemporânea, clássica e ritualística, teatro, performance, artes plásticas e música, ele coloca em cena uma série de estímulos — imagens, sons e palavras — que traduzem os caminhos da pesquisa artística do grupo. A concretude da relação contemporânea com o tempo e com os estímulos sonoro-visuais que nos atravessam diariamente é trabalhada no palco, refletindo sobre como temas filosóficos e conceituais, como desempenho e hiperpassividade, podem ser acionados e experienciados no corpo e na cena.

Sessões com tradução em libras, audiodescrição e rodas de conversa
As sessões aos sábados contarão com tradução em libras e audiodescrição. Ao final das apresentações, ocorrerão bate-papos e debates gratuitos e abertos ao público em geral. Estudantes, bailarinos, performers, coreógrafos, fotógrafos, videomakers, artistas e quaisquer interessados nas artes cênicas e no processo criativo poderão participar.
Ficha Técnica:
Idealização: DANIEL CHAGAS
Dramaturgia: ALESSANDRO BRANDÃO, DANIEL CHAGAS E SUELI GUERRA
Direção e Coreografia: ALESSANDRO BRANDÃO E SUELI GUERRA
Intérpretes / Criadores: ALESSANDRO BRANDÃO, ANA PAULA CRUZ, ANDREIA PIMENTEL, JOCA GONZAGA, DANIEL CHAGAS E SUELI GUERRA
Direção de Produção: CACAU GONDOMAR
Cenografia: GISELE BATALHA
Figurinos: ARLETE RUA
Iluminação: PAULO CESAR MEDEIROS
Redes Sociais: LARISSA BEZER
Fotos: CAROL PIRES
Assessoria de Imprensa: CARLOS PINHO
Realização: CIA DA IDEIA
Patrocínio: GOVERNO FEDERAL, PREFEITURA DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO E SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA
SERVIÇO
Temporada: de 06 a 29 de março
Sessões: sextas e sábados, às 19h, e domingos, às 18h
Local: Centro Coreográfico da Cidade do Rio de Janeiro – Teatro Angel Vianna – Rua José Higino, 115, Tijuca, Rio de Janeiro – RJ
Entrada: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada), vendas no site https://bileto.sympla.com.br/event/116015/d/364672/s/2454903
Lotação: 125 lugares
Classificação: 12 anos
Gênero: dança
Duração: 60 minutos
Rede social: https://www.instagram.com/ciadaideia
CIA DA IDEIA
Cia da Ideia é uma companhia de dança contemporânea fundada em 2006 por Sueli Guerra e Jean Gama, no Rio de Janeiro. Com uma trajetória marcada pela pesquisa de linguagem e pelo diálogo entre dança, teatro e música, a companhia construiu um repertório reconhecido, com espetáculos apresentados em importantes teatros, festivais e circuitos culturais no Brasil. Ao longo de sua história, participou de eventos como o Festival Dança em Trânsito, Encontro SESC de Dança, Festival de Dança do Cariri, além de temporadas em espaços como o Centro Coreográfico do Rio de Janeiro, Teatro Cacilda Becker, SESCs e arenas culturais. Contemplada por diversos programas de fomento (MinC, Funarte, Prefeitura do Rio, Lei Aldir Blanc e Sesc), a Cia da Ideia destaca-se pela circulação ampla, ações em espaços públicos e pela criação de obras para diferentes públicos, incluindo produções infantis.
SUELI GUERRA – Profissional com vasta experiência artística e intelectual, formou-se no Ballet Dalal Achcar, especializou-se no método Royal pela Washington School of Ballet e graduou-se em Dança pela UniverCidade (RJ). Foi bailarina de companhias como a Renato Vieira Cia de Dança, Laso Cia de Dança, Cia Aérea de Dança, Ballet do Terceiro Mundo, entre outras. Coreografou diversos filmes, como “Madame Satã” e “Chatô”, musicais, como o sucesso “Tim Maia, Vale tudo” ; “Bibi Ferreira, O Musical”; “Andança – Beth Carvalho, O Musical” entre outros e programas de TV, como “Aquarela do Brasil”, além de participar como atriz e bailarina em muitos outros, como “Chiquinha Gonzaga” e “Hilda Furacão”. Foi integrante da Cia de Teatro Aberto, onde dirigiu “O crime do professor de matemática” e “A Guerra Conjugal” juntamente com Leonardo Netto. Integra o corpo docente da Casa das Artes de Laranjeiras (CAL) desde 1997 e do curso de pós graduação em teatro musicado da UNIRIO desde 2010, além de atuar como professora de dança e pilates. Entre os festivais e eventos em que participou como coreógrafa estão: Parada Iluminada – Orla de Copacabana, parceria da Prefeitura do Rio e Coca-Cola (2007); Festival Tápias Rio de Janeiro (2007 e 2009); Festival de Londrina (2006). Ganhou o prêmio “Coca-Cola Teatro Jovem” pela coreografia do espetáculo “Praça Onze, o musical”. Fundou a Cia da Ideia em 2005 e desde então vem desenvolvendo um trabalho autoral a partir da interseção entre teatro e dança. Pelo seu trabalho como diretora, coreógrafa e bailarina é reconhecida como uma profissional de excelência.
ALESSANDRO BRANDÃO – Bacharel em Artes Cênicas pela Universidade de Brasília – UNB. Bailarino formado pela Academia de Dança Clássica de Brasília. Foi professor da Faculdade de Artes Dulcina de Moraes por 4 anos. No teatro trabalhou com grandes diretores como Hamilton Vaz Pereira, Hugo Rodas, Antônio Abujamra, entre outros. Na dança, foi dirigido por Norma Lillia, Márcia Duarte e Giselle Rodrigues. Atua como diretor de teatro, cinema e dança. Dirigiu espetáculos como “A casa de Bernarda Alba” de Garcia Lorca, “O santo e a Porca” de Ariano Suassuna, “O Balcão” de Jean Genet. Integrou a Cia. de Dança baSiraH por 11 anos, para quem dirigiu e coreografou o espetáculo “eu só existo quando ninguém me olha”. Estreou como diretor de cinema no filme de dança “Pequena paisagem do meu jardim”. Participou do projeto COLABORATÓRIO no centro coreográfico da cidade do Rio de Janeiro, cidade onde atualmente mora. Dentre seus últimos trabalhos em dança podemos destacar: “”As belas palavras” (2006) – Coreógrafa: Eliana Carneiro, “Império das meias verdades” (2007) – Coreógrafo: Geovani Aguiar; “De água e sal” (2006/2007) – Coreografado pelo grupo baSiraH e com direção de Giselle Rodrigues; “O Manifesto do Bicho” (2009) – Direção: Gabriel Sanches e Alessandro Brandão; “Maior é a saudade que nos tem inspirado que o mar de distância que nos separa” (2010) – Coreografia e direção: Alessandro inspirado que o mar de distância que nos separa (2010) Coreografia e direção: Alessandro Brandão; “Será” (2011/2013) – Coreografia e direção: Sueli Guerra e Alessandro Brandão. Em 2007, Alessandro recebeu o Prêmio SESC de melhor ator, e em 2009, o Prêmio Candango de melhor ator de curta metragem no festival de Brasília do cinema Brasileiro
DANIEL CHAGAS – Ator, professor, coach, diretor e autor. Cursou Bacharelado e Licenciatura em Artes Cênicas pela UNIRIO. Em sua trajetória pelos palcos, atuou em peças como: Um Nome para Romeu e Julieta, dirigida por Dani Lossant; Fatal, dirigida por Guilherme Leme; Solos de Memórias, dirigida por Morena Cattoni; Silêncio, dirigida por Renata Mizrahi e Priscila Vidca; As Três Irmãs, dirigida por Morena Cattoni e Uma Vida Boa, pelo diretor Diogo Liberano, co-fundador do grupo de Teatro Inominável.
