No mês do Dia Mundial da Obesidade, dados reforçam peso dos fatores de risco modificáveis nas doenças cerebrovasculares

Uma análise inédita da plataforma de inteligência em saúde da TechTrials aponta que o Acidente Vascular Cerebral (AVC) pode ter gerado impacto hospitalar superior a R$ 11 bilhões no Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2015. O levantamento consolida dados oficiais do DATASUS e aplica metodologia comparativa com custos operacionais reais de hospitais públicos.

Segundo a base analisada, entre 2015 e a atualização mais recente disponível, foram registradas:

658.790 hospitalizações por AVC

118.645 óbitos

571.210 pacientes identificados

Média de 11 dias de permanência hospitalar

R$ 2,259 bilhões em valores hospitalares informados

R$ 872,8 milhões relacionados a internações em UTI

Entretanto, os valores oficiais refletem a remuneração da tabela SUS, que não corresponde ao custo real operacional das instituições.

De acordo com benchmark realizado pela TechTrials com gestores hospitalares, o custo efetivo pode ser, em média, até cinco vezes superior ao valor registrado administrativamente. Com esse ajuste metodológico, a estimativa de impacto econômico hospitalar do AVC desde 2015 pode ultrapassar:

R$ 11,2 bilhões em custo real estimado

R$ 4,3 bilhões associados à terapia intensiva

Para Douglas Andreas Valverde, PharmD, fundador e presidente da TechTrials, os dados revelam uma subestimação estrutural do impacto financeiro da doença.

“Quando olhamos apenas para a tabela SUS, temos uma fotografia administrativa. Quando aplicamos benchmarks operacionais reais, percebemos que o impacto econômico do AVC é significativamente maior e mais complexo”, afirma.

Impacto além da internação

A análise longitudinal da plataforma integra dados hospitalares e ambulatoriais, permitindo mapear a linha de cuidado do paciente com AVC desde a fase aguda até as sequelas crônicas.

Os dashboards consolidados mostram volume expressivo de atendimentos ambulatoriais após a alta hospitalar, relacionados a:

Reabilitação motora

Déficits neurológicos persistentes

Comprometimento cognitivo

Distúrbios de linguagem

Acompanhamento funcional prolongado

“O AVC não termina na alta hospitalar. Ele gera uma carga assistencial contínua, que envolve reabilitação, acompanhamento multidisciplinar e impacto social relevante”, explica Valverde.

A conexão com a obesidade

No mês do Dia Mundial da Obesidade, a análise também reforça a relação entre fatores de risco modificáveis e doenças cerebrovasculares.

Do ponto de vista fisiopatológico, a obesidade está associada à ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona, aumento da resistência vascular periférica, inflamação crônica sistêmica e disfunção endotelial. Esses mecanismos favorecem o desenvolvimento da hipertensão arterial, principal fator de risco modificável para o AVC.

“Reduzir a obesidade não é apenas uma questão estética ou individual. É uma estratégia de saúde pública com potencial direto de reduzir internações, sequelas permanentes e custos sistêmicos”, destaca o presidente da TechTrials.

Dados como ferramenta de política pública

Ao estruturar dados públicos em escala nacional, a TechTrials busca qualificar o debate sobre custo real assistencial e planejamento de políticas públicas baseadas em evidências.

“Quando conseguimos transformar dados brutos em inteligência epidemiológica aplicada, damos suporte técnico para decisões mais eficientes. O AVC é um exemplo claro de como fatores de risco preveníveis impactam diretamente o orçamento e a sustentabilidade do sistema de saúde”, afirma Douglas Andreas Valverde.

No contexto do Dia Mundial da Obesidade, a análise reforça que intervenções em fatores de risco modificáveis podem reduzir a incidência de eventos graves como o AVC, com repercussões clínicas, sociais e financeiras para o país.

(Foto: Gerada por IA)

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