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Início » Janeiro Branco: o que os dados revelam sobre a saúde mental no Brasil e como a inteligência artificial pode apoiar decisões em saúde
Saúde

Janeiro Branco: o que os dados revelam sobre a saúde mental no Brasil e como a inteligência artificial pode apoiar decisões em saúde

By Maiara Gomesjaneiro 20, 20264 Mins Read
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Uso estratégico de dados epidemiológicos e IA permite planejar serviços, alocar recursos e fortalecer a gestão da saúde mental sem medicalização ou alarmismo

São Paulo, janeiro de 2025 – “O debate sobre saúde mental no Brasil precisa sair do campo da urgência emocional e entrar definitivamente no campo da gestão baseada em evidências”. A afirmação é de Douglas Andreas Valverde, farmacêutico e CEO da TechTrials, ao analisar o papel do Janeiro Branco no contexto atual da saúde pública e suplementar. Para ele, a campanha é fundamental para ampliar a conscientização, mas só gera impacto real quando acompanhada de decisões estruturadas, planejamento contínuo e uso qualificado de dados.

O Brasil enfrenta um cenário complexo no campo da saúde mental. Dados epidemiológicos apontam crescimento consistente dos transtornos mentais e comportamentais nos últimos anos, com reflexos diretos na atenção primária, nos serviços especializados, na produtividade do trabalho e nos custos assistenciais. Ansiedade, depressão e transtornos relacionados ao estresse figuram entre as principais causas de afastamento laboral e sobrecarga dos sistemas de saúde. Somente entre 2020 e 2024, os dados do SIASUS (Sistema de Informação Ambulatorial do SUS) na plataforma de dados da TechTrials, mostram crescimento de 3 a 4 vezes em atendimentos de transtornos de ansiedade e depressão. Ainda assim, especialistas alertam que a simples divulgação desses números, sem análise contextualizada, pode gerar interpretações equivocadas, alarmismo ou estratégias excessivamente medicalizantes.

Nesse cenário, o uso estratégico de dados passa a ser central para a formulação de políticas, programas e serviços mais eficazes. A análise epidemiológica permite compreender diferenças regionais, perfis populacionais, fatores socioeconômicos associados e tendências de médio e longo prazo. “O dado isolado não explica a realidade. Ele precisa ser analisado com método, contexto e responsabilidade. É isso que transforma informação em inteligência para a tomada de decisão”, explica Valverde.

A inteligência artificial aplicada à saúde surge justamente como uma ferramenta de apoio a esse processo. Ao integrar grandes volumes de dados de diferentes fontes, a IA permite identificar padrões, prever demandas, avaliar impactos de políticas públicas e apoiar gestores na alocação mais eficiente de recursos. “A inteligência artificial não substitui o cuidado humano, nem o trabalho clínico. Ela atua antes, no planejamento, ajudando gestores e instituições a tomarem decisões mais assertivas e sustentáveis”, destaca o Dr Maurício Perroud, Chief Medical Officer da TechTrials.

Outro ponto fundamental é a capacidade da IA de apoiar estratégias de prevenção e promoção da saúde mental. A leitura qualificada dos dados permite identificar territórios mais vulneráveis, momentos de maior pressão sobre os serviços e lacunas na rede de atenção psicossocial. “Quando conseguimos antecipar demandas, conseguimos planejar melhor equipes, serviços e investimentos. Isso reduz sobrecarga, desperdício de recursos e melhora o acesso da população”, afirma Perroud.

A gestão baseada em evidências também fortalece a transparência e a avaliação contínua das políticas implementadas. Programas de saúde mental podem ser monitorados ao longo do tempo, com análise de resultados reais, ajustes estratégicos e maior eficiência no uso dos recursos públicos e privados. “A IA permite sair do achismo e entrar no campo da mensuração real de impacto. Isso é essencial para políticas públicas responsáveis”, pontua.

No entanto, o uso de tecnologia em saúde mental exige rigor ético e conformidade legal. Trata-se de um campo que lida com dados sensíveis, o que demanda atenção redobrada à privacidade e à segurança das informações. “Não existe inovação em saúde sem ética. Qualquer solução precisa estar em conformidade com a LGPD e com princípios sólidos de governança de dados. Caso contrário, o risco supera o benefício”, ressalta Douglas Valverde.

Para Valverde, a discussão proposta pelo Janeiro Branco deve evoluir para uma agenda permanente de gestão da saúde mental no Brasil. “Campanhas são importantes para sensibilizar, mas a transformação acontece quando há planejamento, dados de qualidade, tecnologia bem aplicada e compromisso institucional. A saúde mental precisa ser tratada como política de Estado e de gestão”, conclui.

Sobre a TechTrials

A TechTrials atua nacionalmente apoiando gestores públicos, hospitais, redes de saúde, indústria farmacêutica e pesquisadores na tomada de decisão baseada em dados reais. A empresa utiliza inteligência artificial, análise avançada de dados e rigor metodológico para transformar grandes volumes de informações em inteligência estratégica aplicada à saúde.

Com foco em ética, ciência e conformidade com a LGPD, a TechTrials desenvolve soluções que contribuem para o planejamento de serviços, avaliação de políticas públicas, pesquisa clínica e gestão eficiente dos sistemas de saúde, apoiando decisões mais seguras, responsáveis e sustentáveis.

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